Diariamente o dia-a-dia (?) me frustra, decepciona, irrita e, acima de qualquer outra coisa, angustia. As pessoas estão me passando estas sensações. Durante muitos anos – e ainda é algo constante – na nossa democracia pré-matura, preocupou-se, discursou-se, falou-se em rodas de conversa, sobre a “massa alienada”, sobre a vulnerável e inocente maioria da população que é privada dos recursos requintados de materialidade e, principalmente, privada de senso crítico. É, de fato, já ouvi muito no meu pé do ouvido pessoas supostamente intelectualizadas falando sobre esta temática. Mas não é essa a minha angustia corrente. Caso este texto se tratasse disto, estaria apenas reproduzindo de forma diferente o discurso de mais uma porção de pessoas que dizem saberem o que estão falando e/ou fazendo. Não, não é da massa desgraçada, humilhada e secularmente destituída de seus direitos que eu estou falando. Estou falando de nós.
Vou à universidade, ao trabalho, e a diversos outros “lugares sociais” e só o que vejo são hipócritas; Os discursos que engrandecem o ego e a própria popularidade (que também é um desejo egocêntrico, ora, mas que coisa!) ; a busca insaciável por ser notado; a deturpação do conceito de “ser político”. É isso o que eu vejo. As pessoas, sobretudo uma determinada parte dos jovens, se apropriam de situações reais, problemas graves que ferem dolorosamente os direitos humanos, a constituição, a ética, a moral, dentre outros, para formularem discursos vazios, lutas sem causa ( ou com causa simulada ), revoluções de papel xerocado, em prol de algo que resumidamente eu poderia chamar de “vaidade da alma atrasada e decadente”. O ego existe em cada um de nós, isto é bem obvio, porém, deve-se trabalhá-lo através de uma prática de contenção e não de estímulo. Não inflá-lo como um balão, a ponto de se fazer levantar bandeiras e ideais de revolução, e modelos de luta de um Brasil despótico, tirânico e torturador, como era o nosso país em seu regime ditatorial. As lutas devem existir, mas fundadas em conceitos e valores verdadeiros, e de forma coerente, levantando bandeiras de um Brasil de 2010, do século XXI, marcados por diversas rupturas e, por conseqüência, mais amadurecido.
Vocês não estão em 1964. Desistam.
Bom, citando um pouquinho de Carlos Drummond de Andrade ( ato que até me deixa receoso, pois as práticas atuais dos acéfalos aculturados, fizeram citações inteligentes virarem pressuposto de uma síndrome que eu chamo de “mamãe, eu quero aparecer” ), eu poderia dizer que o grande escritor naquela época se impressionava com a quantidade de pernas brancas, pretas, amarelas, dentro de um bonde. Sorte a sua, Drummond, por não viver no Brasil do século XXI. Hoje, cada perninha colorida desta teria uma incontável quantidade de ONG’s e movimentos sociais prontas para lhe darem um belo de um processo por racismo, ou algo que o valha. Assim perderíamos um grande poema, mas tenho certeza que você garantiria os seus minutinhos de fama, pelo tumulto causado. É, foi acertado. Melhor ser eternizado por ser sincero do que ser vazio e virar “celebridade” por um dia.
É engraçado. Você pensa exatamente como eu, só que sabe exprimir isso de uma forma primorosa!
ResponderExcluirÉ, de fato, frustrante (ou angustiante) como algumas pessoas pararam no tempo e não entenderam o recado dos extraordinários líderes e revolucionário de outrora. E, ironicamente, é essa a nossa juventude “vanguardista”, cheia de citações lítero-filosóficas justamente a fumadora de maconha nos encontros nacionais/regionais de seus devidos cursos na universidade (que por acaso estão sempre circulando entre Praça da Paz e Centro Histórico).
Palmas para eles! =D
Adorei o texto, Diego! Concordo com tudo que falastes, é muito triste esse quadro social que nos deparamos diariamente. Salvo as exceções, que são cada vez mais raras, a humanidade está ficando fútil, vivendo de máscaras e etiquetas. ;/
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