Tem sido frequente nas minhas conversas a seguinte frase : "a culpa são sempre dos filmes, dos livros e das músicas".
A arte na sua incessante, porém vital, maneira de imitar, recriar e fantasiar a vida, atingiu em alguns pontos um primor que ultrapassa, a meu ver, os limites do impressionante, muitas vezes chegando a ter um caráter premonitório, eu diria. Vez ou outra me deparo com um livro, um filme ou uma música que fascina tanto, que palavras eufóricas seriam nada para descrever o meu estado de êxtase. O mundo está repleto de obras de arte assim, magníficas, e isto tem ficado evidente para mim de uns tempos para cá, mais do que em qualquer outra fase que vivi.
Tenho observado com mais clareza que antes, a influência que essas produções artísticas despertam nas pessoas, especialmente as que convivo. Um filme bom, um livro bom, faz com que muita gente saia do cinema ou termine a leitura se sentindo diferente. Se sentindo uma nova pessoa. Os valores apresentados, ou melhor, os valores assimilados despertam nas pessoas uma nova realidade e uma forma diferente de ver as situações do cotidiano. A gente sai de "Grande Sertão: Veredas" se sentindo Diadorim, Riobaldo e até o Diabo, todos ao mesmo tempo. E por muitas vezes, as características da personalidade dos personagens influenciam nas nossas próprias decisões, de acordo com o grau de afeição que criamos por eles, durante a leitura.
Recentemente reli "O amor nos tempos do cólera" de um dos meus escritores favoritos, Gabriel Garcia Marquéz. A primeira vez que eu li esse livro foi há quatro anos e pouco absorvi daquela leitura, ficando apenas a fascinação pela narrativa de Gabo. Era um período diferente e eu tinha uma forma de pensar diferente. Na releitura que fiz há pouco, o livro teve um efeito impressionante sobre mim. O momento e a minha forma de pensar de hoje ( quatro anos depois ) contribuiu bastante para que eu terminasse o livro e visse muitas situações dos meus dias com uma perspectiva diferente. A dedicação cega de Florentino Ariza ou a praticidade efêmera de Juvenal Urbino são caminhos diferentes para um mesmo fim ou há um caminho certo e outro errado. O que de fato vale a pena nesta vida onde, essencialmente, não se ama mais? Bom, é apenas uma série de reflexões que uma obra literária pode trazer a uma pessoa. Poderia citar diversas reflexões e diversos posicionamentos influenciados por leituras, filmes ou músicas, mas não convém.
Músicas. Quem não assistiu O Fabuloso destino de Amelie Poulain e ficou não apenas encantado com a fabulosa trilha de sonora de Yann Tiersen, como também fez questão de colocá-la discretamente em diversos momentos de sua vida pessoal? Eu particularmente tenho uma série de músicas que foram devidamente colocadas em lugares específicos da minha vida, onde elas assumiram ali um significado mais importante ( para mim, claro ) do que em qualquer outro lugar. As músicas nos deixam de bom humor, nostálgicos, tristes, enfim, podem despertar em nós praticamente todas as sensações possíveis. Impressiona.
Tenho pensado muito nisto ultimamente, o que me tem feito expor determinados pensamentos por aí, diversas vezes ao dia. E, muito provavelmente, este é o motivo de estar novamente (após dois anos, creio) postando neste abandonado blog. Os outros lugares na internet não são interessantes para ficar escrevendo de forma desenfreada. Nem todas as pessoas tem paciência para ler o que temos a dizer hoje em dia. E esta minha reflexão não caberia em 140 caracteres. Necessitava de um lugar para escrever e demorei para perceber. E desta vez, mais uma vez, a culpa são dos filmes, dos livros e das músicas.
p.s. Primeiro texto completamente justificativo. Os próximos serão mais voltados para as minhas descobertas diárias, creio. Optei também em não apagar os poucos textos anteriores. A vida passa, mas é sempre termos alguns registros do que aconteceu por lá. Tudo sempre vale a pena.