Tenho me aproximado bastante dos animais, nos últimos dias. Através desta aproximação pude ter algumas experiências interessantes, relacionadas a eles. Na verdade, talvez nem sejam tão interessantes assim, e sejam, somente, experiências corriqueiras no dia-a-dia com um animal de estimação. Que seja. Têm sido bastante gratificante pra mim e pretendo seriamente me dedicar mais a eles, de agora em diante.
Afeto gratuito. Todo mundo sabe que animais como gatos e cachorros, principalmente os cachorros, são afetuosos. Gostam de dar e de receber carinho e atenção. Sofrem de uma extrema carência e aproveitam os poucos minutos que ficamos com eles para mostrarem : "olha, nós gostamos muito de você!".
Esta semana, na quarta-feira, cheguei do trabalho às 01:30h da madrugada. Todos dormiam. Indiferentes à minha chegada, às minhas necessidades, enfim, dormiam. Apenas um ser vivo estava ali me esperando, extremamente feliz por eu ter finalmente chegado. Percebia que ele estava dormindo antes disso, se movia devagar, bocejando bastante, mas com a mesma felicidade de um dia ensolarado, isso eu podia ver nos olhos dele. Pensei alguns segundos e minha memória deu-me a constatação: "Todo dia esta cena se repete, sabia?"
E isso me deixou bastante contente com meu cachorro. Garoto agradável ^^
Eu, particularmente, não gosto muito de gatos. Me parecem falso demais, interesseiros demais, arrogantes demais com aqueles olhos bonitos semi-cerrados olhando para você como uma cantora pop olharia pro seu fã mais alucinado. Não, não gosto.
Mas ele tem a mesma característica afetiva do cachorro. A carência.
Onde estudo, é repleto de gatos. Esta semana um deitou no meu colo, enquanto eu lia. Era um filhote. Não pude negar um pouco de conforto para aquele pobre bicinho. Pois bem, aceitei-o. Enquanto lia ele ficou ali no meu colo e eu, esporádicamente, alivasava o pelo dele. Ficamos assim por cerca de duas horas. E quando eu tive de ir embora foi aquele desespero. Ele miava, se agarrava em mim, não queria soltar. Foi até um pouco constrangedor, pois muita gente ficou olhando, mas eu não podia deixar de sorrir, feliz.
Não é todo dia que a gente encontra alguém que mal nos conhece e que, invariavelmente, gosta tanto da gente, não é?
Os dois. O gato e o cachorro me fizeram chegar a uma pequena reflexão. Eu pensei: "poxa,as vezes os animais demonstram mais carinho por nós do que pessoas que estão com a gente desde sempre!". Certo que eles fazem isso por motivos "animais" como fome,sede,dengo até, enfim. Mas qual o ser humano que também não busca esse tipo de coisa?
Eles nos dão um tapa no cara, uma goleada no dar sem receber, no carinho e no companheirismo. E eles estão aos montes por aí!
Deveriamos aprender mais com eles. O mundo precisa de mais afeto.
Além dos desertos e dos ventos setentrionais, um lugar longe de tudo, anônimo, onde há espaço suficiente para acontecerem os mais fantásticos casos de nosso realismo.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
"Vocês não estão em 1964. Desistam."
Diariamente o dia-a-dia (?) me frustra, decepciona, irrita e, acima de qualquer outra coisa, angustia. As pessoas estão me passando estas sensações. Durante muitos anos – e ainda é algo constante – na nossa democracia pré-matura, preocupou-se, discursou-se, falou-se em rodas de conversa, sobre a “massa alienada”, sobre a vulnerável e inocente maioria da população que é privada dos recursos requintados de materialidade e, principalmente, privada de senso crítico. É, de fato, já ouvi muito no meu pé do ouvido pessoas supostamente intelectualizadas falando sobre esta temática. Mas não é essa a minha angustia corrente. Caso este texto se tratasse disto, estaria apenas reproduzindo de forma diferente o discurso de mais uma porção de pessoas que dizem saberem o que estão falando e/ou fazendo. Não, não é da massa desgraçada, humilhada e secularmente destituída de seus direitos que eu estou falando. Estou falando de nós.
Vou à universidade, ao trabalho, e a diversos outros “lugares sociais” e só o que vejo são hipócritas; Os discursos que engrandecem o ego e a própria popularidade (que também é um desejo egocêntrico, ora, mas que coisa!) ; a busca insaciável por ser notado; a deturpação do conceito de “ser político”. É isso o que eu vejo. As pessoas, sobretudo uma determinada parte dos jovens, se apropriam de situações reais, problemas graves que ferem dolorosamente os direitos humanos, a constituição, a ética, a moral, dentre outros, para formularem discursos vazios, lutas sem causa ( ou com causa simulada ), revoluções de papel xerocado, em prol de algo que resumidamente eu poderia chamar de “vaidade da alma atrasada e decadente”. O ego existe em cada um de nós, isto é bem obvio, porém, deve-se trabalhá-lo através de uma prática de contenção e não de estímulo. Não inflá-lo como um balão, a ponto de se fazer levantar bandeiras e ideais de revolução, e modelos de luta de um Brasil despótico, tirânico e torturador, como era o nosso país em seu regime ditatorial. As lutas devem existir, mas fundadas em conceitos e valores verdadeiros, e de forma coerente, levantando bandeiras de um Brasil de 2010, do século XXI, marcados por diversas rupturas e, por conseqüência, mais amadurecido.
Vocês não estão em 1964. Desistam.
Bom, citando um pouquinho de Carlos Drummond de Andrade ( ato que até me deixa receoso, pois as práticas atuais dos acéfalos aculturados, fizeram citações inteligentes virarem pressuposto de uma síndrome que eu chamo de “mamãe, eu quero aparecer” ), eu poderia dizer que o grande escritor naquela época se impressionava com a quantidade de pernas brancas, pretas, amarelas, dentro de um bonde. Sorte a sua, Drummond, por não viver no Brasil do século XXI. Hoje, cada perninha colorida desta teria uma incontável quantidade de ONG’s e movimentos sociais prontas para lhe darem um belo de um processo por racismo, ou algo que o valha. Assim perderíamos um grande poema, mas tenho certeza que você garantiria os seus minutinhos de fama, pelo tumulto causado. É, foi acertado. Melhor ser eternizado por ser sincero do que ser vazio e virar “celebridade” por um dia.
Vou à universidade, ao trabalho, e a diversos outros “lugares sociais” e só o que vejo são hipócritas; Os discursos que engrandecem o ego e a própria popularidade (que também é um desejo egocêntrico, ora, mas que coisa!) ; a busca insaciável por ser notado; a deturpação do conceito de “ser político”. É isso o que eu vejo. As pessoas, sobretudo uma determinada parte dos jovens, se apropriam de situações reais, problemas graves que ferem dolorosamente os direitos humanos, a constituição, a ética, a moral, dentre outros, para formularem discursos vazios, lutas sem causa ( ou com causa simulada ), revoluções de papel xerocado, em prol de algo que resumidamente eu poderia chamar de “vaidade da alma atrasada e decadente”. O ego existe em cada um de nós, isto é bem obvio, porém, deve-se trabalhá-lo através de uma prática de contenção e não de estímulo. Não inflá-lo como um balão, a ponto de se fazer levantar bandeiras e ideais de revolução, e modelos de luta de um Brasil despótico, tirânico e torturador, como era o nosso país em seu regime ditatorial. As lutas devem existir, mas fundadas em conceitos e valores verdadeiros, e de forma coerente, levantando bandeiras de um Brasil de 2010, do século XXI, marcados por diversas rupturas e, por conseqüência, mais amadurecido.
Vocês não estão em 1964. Desistam.
Bom, citando um pouquinho de Carlos Drummond de Andrade ( ato que até me deixa receoso, pois as práticas atuais dos acéfalos aculturados, fizeram citações inteligentes virarem pressuposto de uma síndrome que eu chamo de “mamãe, eu quero aparecer” ), eu poderia dizer que o grande escritor naquela época se impressionava com a quantidade de pernas brancas, pretas, amarelas, dentro de um bonde. Sorte a sua, Drummond, por não viver no Brasil do século XXI. Hoje, cada perninha colorida desta teria uma incontável quantidade de ONG’s e movimentos sociais prontas para lhe darem um belo de um processo por racismo, ou algo que o valha. Assim perderíamos um grande poema, mas tenho certeza que você garantiria os seus minutinhos de fama, pelo tumulto causado. É, foi acertado. Melhor ser eternizado por ser sincero do que ser vazio e virar “celebridade” por um dia.
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