Comentário: De forma alguma este texto pretende ser uma homenagem ao grande Gabriel Garcia Marquéz. Tenho a pretensão de fazê-la - e receio que acabará por ser dividida em partes - um dia desses, mas não agora. O que impulsionou a comentar sobre o expoente escritor colombiano foi uma notícia recente sobre seu atual estado de saúde.
Ao Garcia Marquéz - ou Gabo, Gabito - a idade avançada lhe reservou a demência. A perda gradativa da memória está levando o gênio aos poucos. Alguém que escreveu tão bem da velhice cega e preocupada de Úrsula Iguaran à velhice apaixonada de Florentino Ariza, agora está definitivamente preso na contagem dos últimos - dias? anos?
Mas, preso não. Gabo está indo como o patriarca de sua criação, José Arcadio Buendia, esquecendo e confundindo aos poucos os nomes dos entes queridos, dos dias e das datas comemorativas, deixando na memória apenas o realismo fantástico. Como dizia a epígrafe da casa dos Buendia : "o primeiro da estirpe está amarrado à uma árvore".
E ele há de um dia ir de vez ao mundo fantástico que criou, deixando atrás um forte cheiro das amendoeiras de Macondo.
Riohacha
Além dos desertos e dos ventos setentrionais, um lugar longe de tudo, anônimo, onde há espaço suficiente para acontecerem os mais fantásticos casos de nosso realismo.
terça-feira, 10 de julho de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Simples, simples.
O que ela fez foi simples como beber água. Ou como fritar um ovo, que já exige mais esforço mas não perde seu caráter de "ação frívola". Talvez tenha sido um pouco, só um pouco, mais difícil. Como abrir uma lata de ervilha, por exemplo. Mas continuou tendo sido simples, fácil de fazer. Foi tão simples que não durou nem 10 minutos para fazer tudo, um "vapt-vupt" rápido e prático. E pensar que hesitou por anos e, no final das contas, acabou sendo uma das coisas mais simples e naturais que ela já fez na vida. Como andar de bicicleta, abrir um coco, ou comer caranguejo.
Há quem diga agora, "mas caranguejo é difícil de comer!" . Ora, mas vamos, com aquele martelo cruel que deixam à nossa disposição, não há trabalho algum para comê-lo! Talvez um esperado desapontamento gastrônomico, devido a mesquinharia de alimento que o crustáceo nos oferece, mas dificuldade? De forma alguma. Comer caranguejo é tão simples quanto comer um peixe com espinha, soltar pipa - ou melhor - fazer uma pipa! É tão simples e corriqueiro como nadar. E nadar sim, isto sim, é tão simples quanto o que ela fez.
[O que ela fez foi tão simples quanto beber água, assim como nadar. Em medidas iguais.
Como? Nadar é mais difícil do que beber água?
Talvez, se essa for a necessidade em questão. Um peixe discordaria. Pense nisso...
Em todo caso, eu concordo. Nadar é mais difícil do que beber água. Tanto é que eu nunca aprendi e receio que jamais aprenderei.]
Ah! O que ela fez de tão simples? Bom, não queria desapontar, mas não sei dizer. Assim como nadar é simples e eu não sei fazer, o que ela fez é muito difícil de se explicar, na minha opinião. Afinal, existem dois tipos de coisas na vida, as que são difíceis de fazer e fáceis de explicar e as fáceis de fazer e difíceis de explicar. Tenho um tio que divide estes dois tipos por gênero, pois para ele a primeira definição está relacionada aos homens e a segunda às mulheres. Isto explica, de acordo com meu tio, porque as mulheres falam demasiadamente: Porque tudo o que elas fazem é difícil de explicar. É complicado de entender meu tio.
Eu, particularmente, não tenho opinião formada sobre este assunto. Apenas sei que ela fez aquilo tudo de forma muito simples. Apenas isso. E não me decepciona não saber explicar. Talvez é este pequeno mistério que torna as mulheres tão encantadoras. Desvendá-lo seria uma infelicidade para a apreciação diária da graça e da sutileza feminina.
Pois bem, então deixemos tudo como está.
Apreciando ela tornar as minúcias e as particularidades inquietantes do dia-a-dia em coisas simples. Como beber água.
Há quem diga agora, "mas caranguejo é difícil de comer!" . Ora, mas vamos, com aquele martelo cruel que deixam à nossa disposição, não há trabalho algum para comê-lo! Talvez um esperado desapontamento gastrônomico, devido a mesquinharia de alimento que o crustáceo nos oferece, mas dificuldade? De forma alguma. Comer caranguejo é tão simples quanto comer um peixe com espinha, soltar pipa - ou melhor - fazer uma pipa! É tão simples e corriqueiro como nadar. E nadar sim, isto sim, é tão simples quanto o que ela fez.
[O que ela fez foi tão simples quanto beber água, assim como nadar. Em medidas iguais.
Como? Nadar é mais difícil do que beber água?
Talvez, se essa for a necessidade em questão. Um peixe discordaria. Pense nisso...
Em todo caso, eu concordo. Nadar é mais difícil do que beber água. Tanto é que eu nunca aprendi e receio que jamais aprenderei.]
Ah! O que ela fez de tão simples? Bom, não queria desapontar, mas não sei dizer. Assim como nadar é simples e eu não sei fazer, o que ela fez é muito difícil de se explicar, na minha opinião. Afinal, existem dois tipos de coisas na vida, as que são difíceis de fazer e fáceis de explicar e as fáceis de fazer e difíceis de explicar. Tenho um tio que divide estes dois tipos por gênero, pois para ele a primeira definição está relacionada aos homens e a segunda às mulheres. Isto explica, de acordo com meu tio, porque as mulheres falam demasiadamente: Porque tudo o que elas fazem é difícil de explicar. É complicado de entender meu tio.
Eu, particularmente, não tenho opinião formada sobre este assunto. Apenas sei que ela fez aquilo tudo de forma muito simples. Apenas isso. E não me decepciona não saber explicar. Talvez é este pequeno mistério que torna as mulheres tão encantadoras. Desvendá-lo seria uma infelicidade para a apreciação diária da graça e da sutileza feminina.
Pois bem, então deixemos tudo como está.
Apreciando ela tornar as minúcias e as particularidades inquietantes do dia-a-dia em coisas simples. Como beber água.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
A todos que promovem cultura no Brasil.
A cultura tem um papel importante e decisivo na construção da história de um povo. Ela consegue mobilizar e conscientizar as pessoas com uma facilidade imensa, e melhor, sem filtro algum, o que facilita a compreensão e promove resultados mais contundentes.
Pois bem, aqui no Brasil já houve um tempo no qual a cultura agia desse modo, sempre ao lado do povo e servindo de "carro-chefe" para que a luta fosse instigada no seio da sociedade, com uma adesão quase unânime. As pessoas se sentiam seguras por lutarem ao lado dos que promoviam a cultura e davam base intelectual ao movimento. Acabavam sendo os verdadeiros herois, por se exporem aos cacetetes da mesma forma que se expunham frente as cameras de televisão. O povo se alimentava de cultura e de consciência política, enquanto os artistas se alimentavam do orgulho de fazer parte de um movimento que queria mudança, que propunha mudança, que fazia mudança. Tudo isso em um tempo onde pressupor melhoras seria pensar positivo demais e onde se omitir e fugir da luta não era visto como um ato vergonhoso e sim como um ato prudente. Mesmo assim, o povo lutou e a cultura fez sua parte, estando ao lado do povo em todos os momentos.
E hoje? Vemos diariamente uma série de casos absurdos, indignantes, muitas vezes produzidos pelo nosso "governo adestrado". A violência e o preconceito estão nos seus mais periclitantes extremos e milhares de pessoas andam individualmente frustradas com os problemas atuais de nosso país, gritando aos quatro ventos que "as coisas precisam mudar, as coisas precisam mudar!". Mas não mudam. E dificilmente as coisas mudarão enquanto esse grito não estiver em uníssono, produzido ao mesmo tempo por milhões de brasileiros. E onde está a cultura nestes tempos, para gritar: "As coisas precisam mudar!" mais uma vez e, deste modo, fazer com que o grito seja reproduzido pela boca de todos os brasileiros?
A todos que promovem cultura e sabem o papel que ela já teve neste país, eu deixo um aviso bem claro: A revolta está dispersa, fragmentada, mas existe. As pessoas precisam de vocês para se sentirem seguras na luta por mudança. E vocês não estão fazendo nada. Eu teria vergonha de ser brasileiro.
Pois bem, aqui no Brasil já houve um tempo no qual a cultura agia desse modo, sempre ao lado do povo e servindo de "carro-chefe" para que a luta fosse instigada no seio da sociedade, com uma adesão quase unânime. As pessoas se sentiam seguras por lutarem ao lado dos que promoviam a cultura e davam base intelectual ao movimento. Acabavam sendo os verdadeiros herois, por se exporem aos cacetetes da mesma forma que se expunham frente as cameras de televisão. O povo se alimentava de cultura e de consciência política, enquanto os artistas se alimentavam do orgulho de fazer parte de um movimento que queria mudança, que propunha mudança, que fazia mudança. Tudo isso em um tempo onde pressupor melhoras seria pensar positivo demais e onde se omitir e fugir da luta não era visto como um ato vergonhoso e sim como um ato prudente. Mesmo assim, o povo lutou e a cultura fez sua parte, estando ao lado do povo em todos os momentos.
E hoje? Vemos diariamente uma série de casos absurdos, indignantes, muitas vezes produzidos pelo nosso "governo adestrado". A violência e o preconceito estão nos seus mais periclitantes extremos e milhares de pessoas andam individualmente frustradas com os problemas atuais de nosso país, gritando aos quatro ventos que "as coisas precisam mudar, as coisas precisam mudar!". Mas não mudam. E dificilmente as coisas mudarão enquanto esse grito não estiver em uníssono, produzido ao mesmo tempo por milhões de brasileiros. E onde está a cultura nestes tempos, para gritar: "As coisas precisam mudar!" mais uma vez e, deste modo, fazer com que o grito seja reproduzido pela boca de todos os brasileiros?
A todos que promovem cultura e sabem o papel que ela já teve neste país, eu deixo um aviso bem claro: A revolta está dispersa, fragmentada, mas existe. As pessoas precisam de vocês para se sentirem seguras na luta por mudança. E vocês não estão fazendo nada. Eu teria vergonha de ser brasileiro.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
A "Marcha do Xixi"
Não é muito de se espantar que esta campanha tenha sido feita, pois a Globo sempre está tentando tirar a vantagem maior em eventos onde ela publicamente investe bastante. O carnaval que a globo investe de forma contudente, este ano está um fracasso. Escandalo das escolas de samba, líderes envolvidos com desvio de dinheiro, tudo isso somado ao fato de que os brasileiros estão literalmente enchendo deste carnaval "cegamente moldado", vem tirando o brilho do carnaval carioca de 2012 - que já andava perdendo espaço nos anos anteriores. (Mas, claro, ainda rende MUITO dinheiro para os investidores). Apelar pro luxo, riqueza e burguesia não é mais estratégia da Rede Globo e não seria interessante no momento. A onda é apelar pro popular. Uma campanha com um tema de conhecimento de todos, com uma música boba e uma série de "artistas" também de conhecimento geral e de grande apreço popular (infelizmente). É o modus operandi Globo para sair bem de qualquer situação e nunca perder o apoio da massa. Uma cambada de alienados cantarão essa "Marcha do Xixi", e isto é evidente, mas esse não é o ponto mais curioso. O curioso é a Globo fazer uma campanha contra o xixi nas ruas. Justamente ela que joga toneladas de bosta por aí há quase quarenta anos.
Postado em http://riohacha.blogspot.com
Postado em http://riohacha.blogspot.com
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Descabidas justificativas para um anônimo retorno
Tem sido frequente nas minhas conversas a seguinte frase : "a culpa são sempre dos filmes, dos livros e das músicas".
A arte na sua incessante, porém vital, maneira de imitar, recriar e fantasiar a vida, atingiu em alguns pontos um primor que ultrapassa, a meu ver, os limites do impressionante, muitas vezes chegando a ter um caráter premonitório, eu diria. Vez ou outra me deparo com um livro, um filme ou uma música que fascina tanto, que palavras eufóricas seriam nada para descrever o meu estado de êxtase. O mundo está repleto de obras de arte assim, magníficas, e isto tem ficado evidente para mim de uns tempos para cá, mais do que em qualquer outra fase que vivi.
Tenho observado com mais clareza que antes, a influência que essas produções artísticas despertam nas pessoas, especialmente as que convivo. Um filme bom, um livro bom, faz com que muita gente saia do cinema ou termine a leitura se sentindo diferente. Se sentindo uma nova pessoa. Os valores apresentados, ou melhor, os valores assimilados despertam nas pessoas uma nova realidade e uma forma diferente de ver as situações do cotidiano. A gente sai de "Grande Sertão: Veredas" se sentindo Diadorim, Riobaldo e até o Diabo, todos ao mesmo tempo. E por muitas vezes, as características da personalidade dos personagens influenciam nas nossas próprias decisões, de acordo com o grau de afeição que criamos por eles, durante a leitura.
Recentemente reli "O amor nos tempos do cólera" de um dos meus escritores favoritos, Gabriel Garcia Marquéz. A primeira vez que eu li esse livro foi há quatro anos e pouco absorvi daquela leitura, ficando apenas a fascinação pela narrativa de Gabo. Era um período diferente e eu tinha uma forma de pensar diferente. Na releitura que fiz há pouco, o livro teve um efeito impressionante sobre mim. O momento e a minha forma de pensar de hoje ( quatro anos depois ) contribuiu bastante para que eu terminasse o livro e visse muitas situações dos meus dias com uma perspectiva diferente. A dedicação cega de Florentino Ariza ou a praticidade efêmera de Juvenal Urbino são caminhos diferentes para um mesmo fim ou há um caminho certo e outro errado. O que de fato vale a pena nesta vida onde, essencialmente, não se ama mais? Bom, é apenas uma série de reflexões que uma obra literária pode trazer a uma pessoa. Poderia citar diversas reflexões e diversos posicionamentos influenciados por leituras, filmes ou músicas, mas não convém.
Músicas. Quem não assistiu O Fabuloso destino de Amelie Poulain e ficou não apenas encantado com a fabulosa trilha de sonora de Yann Tiersen, como também fez questão de colocá-la discretamente em diversos momentos de sua vida pessoal? Eu particularmente tenho uma série de músicas que foram devidamente colocadas em lugares específicos da minha vida, onde elas assumiram ali um significado mais importante ( para mim, claro ) do que em qualquer outro lugar. As músicas nos deixam de bom humor, nostálgicos, tristes, enfim, podem despertar em nós praticamente todas as sensações possíveis. Impressiona.
Tenho pensado muito nisto ultimamente, o que me tem feito expor determinados pensamentos por aí, diversas vezes ao dia. E, muito provavelmente, este é o motivo de estar novamente (após dois anos, creio) postando neste abandonado blog. Os outros lugares na internet não são interessantes para ficar escrevendo de forma desenfreada. Nem todas as pessoas tem paciência para ler o que temos a dizer hoje em dia. E esta minha reflexão não caberia em 140 caracteres. Necessitava de um lugar para escrever e demorei para perceber. E desta vez, mais uma vez, a culpa são dos filmes, dos livros e das músicas.
p.s. Primeiro texto completamente justificativo. Os próximos serão mais voltados para as minhas descobertas diárias, creio. Optei também em não apagar os poucos textos anteriores. A vida passa, mas é sempre termos alguns registros do que aconteceu por lá. Tudo sempre vale a pena.
A arte na sua incessante, porém vital, maneira de imitar, recriar e fantasiar a vida, atingiu em alguns pontos um primor que ultrapassa, a meu ver, os limites do impressionante, muitas vezes chegando a ter um caráter premonitório, eu diria. Vez ou outra me deparo com um livro, um filme ou uma música que fascina tanto, que palavras eufóricas seriam nada para descrever o meu estado de êxtase. O mundo está repleto de obras de arte assim, magníficas, e isto tem ficado evidente para mim de uns tempos para cá, mais do que em qualquer outra fase que vivi.
Tenho observado com mais clareza que antes, a influência que essas produções artísticas despertam nas pessoas, especialmente as que convivo. Um filme bom, um livro bom, faz com que muita gente saia do cinema ou termine a leitura se sentindo diferente. Se sentindo uma nova pessoa. Os valores apresentados, ou melhor, os valores assimilados despertam nas pessoas uma nova realidade e uma forma diferente de ver as situações do cotidiano. A gente sai de "Grande Sertão: Veredas" se sentindo Diadorim, Riobaldo e até o Diabo, todos ao mesmo tempo. E por muitas vezes, as características da personalidade dos personagens influenciam nas nossas próprias decisões, de acordo com o grau de afeição que criamos por eles, durante a leitura.
Recentemente reli "O amor nos tempos do cólera" de um dos meus escritores favoritos, Gabriel Garcia Marquéz. A primeira vez que eu li esse livro foi há quatro anos e pouco absorvi daquela leitura, ficando apenas a fascinação pela narrativa de Gabo. Era um período diferente e eu tinha uma forma de pensar diferente. Na releitura que fiz há pouco, o livro teve um efeito impressionante sobre mim. O momento e a minha forma de pensar de hoje ( quatro anos depois ) contribuiu bastante para que eu terminasse o livro e visse muitas situações dos meus dias com uma perspectiva diferente. A dedicação cega de Florentino Ariza ou a praticidade efêmera de Juvenal Urbino são caminhos diferentes para um mesmo fim ou há um caminho certo e outro errado. O que de fato vale a pena nesta vida onde, essencialmente, não se ama mais? Bom, é apenas uma série de reflexões que uma obra literária pode trazer a uma pessoa. Poderia citar diversas reflexões e diversos posicionamentos influenciados por leituras, filmes ou músicas, mas não convém.
Músicas. Quem não assistiu O Fabuloso destino de Amelie Poulain e ficou não apenas encantado com a fabulosa trilha de sonora de Yann Tiersen, como também fez questão de colocá-la discretamente em diversos momentos de sua vida pessoal? Eu particularmente tenho uma série de músicas que foram devidamente colocadas em lugares específicos da minha vida, onde elas assumiram ali um significado mais importante ( para mim, claro ) do que em qualquer outro lugar. As músicas nos deixam de bom humor, nostálgicos, tristes, enfim, podem despertar em nós praticamente todas as sensações possíveis. Impressiona.
Tenho pensado muito nisto ultimamente, o que me tem feito expor determinados pensamentos por aí, diversas vezes ao dia. E, muito provavelmente, este é o motivo de estar novamente (após dois anos, creio) postando neste abandonado blog. Os outros lugares na internet não são interessantes para ficar escrevendo de forma desenfreada. Nem todas as pessoas tem paciência para ler o que temos a dizer hoje em dia. E esta minha reflexão não caberia em 140 caracteres. Necessitava de um lugar para escrever e demorei para perceber. E desta vez, mais uma vez, a culpa são dos filmes, dos livros e das músicas.
p.s. Primeiro texto completamente justificativo. Os próximos serão mais voltados para as minhas descobertas diárias, creio. Optei também em não apagar os poucos textos anteriores. A vida passa, mas é sempre termos alguns registros do que aconteceu por lá. Tudo sempre vale a pena.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Sobre cachorros e gatos.
Tenho me aproximado bastante dos animais, nos últimos dias. Através desta aproximação pude ter algumas experiências interessantes, relacionadas a eles. Na verdade, talvez nem sejam tão interessantes assim, e sejam, somente, experiências corriqueiras no dia-a-dia com um animal de estimação. Que seja. Têm sido bastante gratificante pra mim e pretendo seriamente me dedicar mais a eles, de agora em diante.
Afeto gratuito. Todo mundo sabe que animais como gatos e cachorros, principalmente os cachorros, são afetuosos. Gostam de dar e de receber carinho e atenção. Sofrem de uma extrema carência e aproveitam os poucos minutos que ficamos com eles para mostrarem : "olha, nós gostamos muito de você!".
Esta semana, na quarta-feira, cheguei do trabalho às 01:30h da madrugada. Todos dormiam. Indiferentes à minha chegada, às minhas necessidades, enfim, dormiam. Apenas um ser vivo estava ali me esperando, extremamente feliz por eu ter finalmente chegado. Percebia que ele estava dormindo antes disso, se movia devagar, bocejando bastante, mas com a mesma felicidade de um dia ensolarado, isso eu podia ver nos olhos dele. Pensei alguns segundos e minha memória deu-me a constatação: "Todo dia esta cena se repete, sabia?"
E isso me deixou bastante contente com meu cachorro. Garoto agradável ^^
Eu, particularmente, não gosto muito de gatos. Me parecem falso demais, interesseiros demais, arrogantes demais com aqueles olhos bonitos semi-cerrados olhando para você como uma cantora pop olharia pro seu fã mais alucinado. Não, não gosto.
Mas ele tem a mesma característica afetiva do cachorro. A carência.
Onde estudo, é repleto de gatos. Esta semana um deitou no meu colo, enquanto eu lia. Era um filhote. Não pude negar um pouco de conforto para aquele pobre bicinho. Pois bem, aceitei-o. Enquanto lia ele ficou ali no meu colo e eu, esporádicamente, alivasava o pelo dele. Ficamos assim por cerca de duas horas. E quando eu tive de ir embora foi aquele desespero. Ele miava, se agarrava em mim, não queria soltar. Foi até um pouco constrangedor, pois muita gente ficou olhando, mas eu não podia deixar de sorrir, feliz.
Não é todo dia que a gente encontra alguém que mal nos conhece e que, invariavelmente, gosta tanto da gente, não é?
Os dois. O gato e o cachorro me fizeram chegar a uma pequena reflexão. Eu pensei: "poxa,as vezes os animais demonstram mais carinho por nós do que pessoas que estão com a gente desde sempre!". Certo que eles fazem isso por motivos "animais" como fome,sede,dengo até, enfim. Mas qual o ser humano que também não busca esse tipo de coisa?
Eles nos dão um tapa no cara, uma goleada no dar sem receber, no carinho e no companheirismo. E eles estão aos montes por aí!
Deveriamos aprender mais com eles. O mundo precisa de mais afeto.
Afeto gratuito. Todo mundo sabe que animais como gatos e cachorros, principalmente os cachorros, são afetuosos. Gostam de dar e de receber carinho e atenção. Sofrem de uma extrema carência e aproveitam os poucos minutos que ficamos com eles para mostrarem : "olha, nós gostamos muito de você!".
Esta semana, na quarta-feira, cheguei do trabalho às 01:30h da madrugada. Todos dormiam. Indiferentes à minha chegada, às minhas necessidades, enfim, dormiam. Apenas um ser vivo estava ali me esperando, extremamente feliz por eu ter finalmente chegado. Percebia que ele estava dormindo antes disso, se movia devagar, bocejando bastante, mas com a mesma felicidade de um dia ensolarado, isso eu podia ver nos olhos dele. Pensei alguns segundos e minha memória deu-me a constatação: "Todo dia esta cena se repete, sabia?"
E isso me deixou bastante contente com meu cachorro. Garoto agradável ^^
Eu, particularmente, não gosto muito de gatos. Me parecem falso demais, interesseiros demais, arrogantes demais com aqueles olhos bonitos semi-cerrados olhando para você como uma cantora pop olharia pro seu fã mais alucinado. Não, não gosto.
Mas ele tem a mesma característica afetiva do cachorro. A carência.
Onde estudo, é repleto de gatos. Esta semana um deitou no meu colo, enquanto eu lia. Era um filhote. Não pude negar um pouco de conforto para aquele pobre bicinho. Pois bem, aceitei-o. Enquanto lia ele ficou ali no meu colo e eu, esporádicamente, alivasava o pelo dele. Ficamos assim por cerca de duas horas. E quando eu tive de ir embora foi aquele desespero. Ele miava, se agarrava em mim, não queria soltar. Foi até um pouco constrangedor, pois muita gente ficou olhando, mas eu não podia deixar de sorrir, feliz.
Não é todo dia que a gente encontra alguém que mal nos conhece e que, invariavelmente, gosta tanto da gente, não é?
Os dois. O gato e o cachorro me fizeram chegar a uma pequena reflexão. Eu pensei: "poxa,as vezes os animais demonstram mais carinho por nós do que pessoas que estão com a gente desde sempre!". Certo que eles fazem isso por motivos "animais" como fome,sede,dengo até, enfim. Mas qual o ser humano que também não busca esse tipo de coisa?
Eles nos dão um tapa no cara, uma goleada no dar sem receber, no carinho e no companheirismo. E eles estão aos montes por aí!
Deveriamos aprender mais com eles. O mundo precisa de mais afeto.
terça-feira, 4 de maio de 2010
"Vocês não estão em 1964. Desistam."
Diariamente o dia-a-dia (?) me frustra, decepciona, irrita e, acima de qualquer outra coisa, angustia. As pessoas estão me passando estas sensações. Durante muitos anos – e ainda é algo constante – na nossa democracia pré-matura, preocupou-se, discursou-se, falou-se em rodas de conversa, sobre a “massa alienada”, sobre a vulnerável e inocente maioria da população que é privada dos recursos requintados de materialidade e, principalmente, privada de senso crítico. É, de fato, já ouvi muito no meu pé do ouvido pessoas supostamente intelectualizadas falando sobre esta temática. Mas não é essa a minha angustia corrente. Caso este texto se tratasse disto, estaria apenas reproduzindo de forma diferente o discurso de mais uma porção de pessoas que dizem saberem o que estão falando e/ou fazendo. Não, não é da massa desgraçada, humilhada e secularmente destituída de seus direitos que eu estou falando. Estou falando de nós.
Vou à universidade, ao trabalho, e a diversos outros “lugares sociais” e só o que vejo são hipócritas; Os discursos que engrandecem o ego e a própria popularidade (que também é um desejo egocêntrico, ora, mas que coisa!) ; a busca insaciável por ser notado; a deturpação do conceito de “ser político”. É isso o que eu vejo. As pessoas, sobretudo uma determinada parte dos jovens, se apropriam de situações reais, problemas graves que ferem dolorosamente os direitos humanos, a constituição, a ética, a moral, dentre outros, para formularem discursos vazios, lutas sem causa ( ou com causa simulada ), revoluções de papel xerocado, em prol de algo que resumidamente eu poderia chamar de “vaidade da alma atrasada e decadente”. O ego existe em cada um de nós, isto é bem obvio, porém, deve-se trabalhá-lo através de uma prática de contenção e não de estímulo. Não inflá-lo como um balão, a ponto de se fazer levantar bandeiras e ideais de revolução, e modelos de luta de um Brasil despótico, tirânico e torturador, como era o nosso país em seu regime ditatorial. As lutas devem existir, mas fundadas em conceitos e valores verdadeiros, e de forma coerente, levantando bandeiras de um Brasil de 2010, do século XXI, marcados por diversas rupturas e, por conseqüência, mais amadurecido.
Vocês não estão em 1964. Desistam.
Bom, citando um pouquinho de Carlos Drummond de Andrade ( ato que até me deixa receoso, pois as práticas atuais dos acéfalos aculturados, fizeram citações inteligentes virarem pressuposto de uma síndrome que eu chamo de “mamãe, eu quero aparecer” ), eu poderia dizer que o grande escritor naquela época se impressionava com a quantidade de pernas brancas, pretas, amarelas, dentro de um bonde. Sorte a sua, Drummond, por não viver no Brasil do século XXI. Hoje, cada perninha colorida desta teria uma incontável quantidade de ONG’s e movimentos sociais prontas para lhe darem um belo de um processo por racismo, ou algo que o valha. Assim perderíamos um grande poema, mas tenho certeza que você garantiria os seus minutinhos de fama, pelo tumulto causado. É, foi acertado. Melhor ser eternizado por ser sincero do que ser vazio e virar “celebridade” por um dia.
Vou à universidade, ao trabalho, e a diversos outros “lugares sociais” e só o que vejo são hipócritas; Os discursos que engrandecem o ego e a própria popularidade (que também é um desejo egocêntrico, ora, mas que coisa!) ; a busca insaciável por ser notado; a deturpação do conceito de “ser político”. É isso o que eu vejo. As pessoas, sobretudo uma determinada parte dos jovens, se apropriam de situações reais, problemas graves que ferem dolorosamente os direitos humanos, a constituição, a ética, a moral, dentre outros, para formularem discursos vazios, lutas sem causa ( ou com causa simulada ), revoluções de papel xerocado, em prol de algo que resumidamente eu poderia chamar de “vaidade da alma atrasada e decadente”. O ego existe em cada um de nós, isto é bem obvio, porém, deve-se trabalhá-lo através de uma prática de contenção e não de estímulo. Não inflá-lo como um balão, a ponto de se fazer levantar bandeiras e ideais de revolução, e modelos de luta de um Brasil despótico, tirânico e torturador, como era o nosso país em seu regime ditatorial. As lutas devem existir, mas fundadas em conceitos e valores verdadeiros, e de forma coerente, levantando bandeiras de um Brasil de 2010, do século XXI, marcados por diversas rupturas e, por conseqüência, mais amadurecido.
Vocês não estão em 1964. Desistam.
Bom, citando um pouquinho de Carlos Drummond de Andrade ( ato que até me deixa receoso, pois as práticas atuais dos acéfalos aculturados, fizeram citações inteligentes virarem pressuposto de uma síndrome que eu chamo de “mamãe, eu quero aparecer” ), eu poderia dizer que o grande escritor naquela época se impressionava com a quantidade de pernas brancas, pretas, amarelas, dentro de um bonde. Sorte a sua, Drummond, por não viver no Brasil do século XXI. Hoje, cada perninha colorida desta teria uma incontável quantidade de ONG’s e movimentos sociais prontas para lhe darem um belo de um processo por racismo, ou algo que o valha. Assim perderíamos um grande poema, mas tenho certeza que você garantiria os seus minutinhos de fama, pelo tumulto causado. É, foi acertado. Melhor ser eternizado por ser sincero do que ser vazio e virar “celebridade” por um dia.
Assinar:
Comentários (Atom)