segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Simples, simples.

O que ela fez foi simples como beber água. Ou como fritar um ovo, que já exige mais esforço mas não perde seu caráter de "ação frívola". Talvez tenha sido um pouco, só um pouco, mais difícil. Como abrir uma lata de ervilha, por exemplo. Mas continuou tendo sido simples, fácil de fazer. Foi tão simples que não durou nem 10 minutos para fazer tudo, um "vapt-vupt" rápido e prático. E pensar que hesitou por anos e, no final das contas, acabou sendo uma das coisas mais simples e naturais que ela já fez na vida. Como andar de bicicleta, abrir um coco, ou comer caranguejo.
Há quem diga agora, "mas caranguejo é difícil de comer!" . Ora, mas vamos, com aquele martelo cruel que deixam à nossa disposição, não há trabalho algum para comê-lo! Talvez um esperado desapontamento gastrônomico, devido a mesquinharia de alimento que o crustáceo nos oferece, mas dificuldade? De forma alguma. Comer caranguejo é tão simples quanto comer um peixe com espinha, soltar pipa - ou melhor - fazer uma pipa! É tão simples e corriqueiro como nadar. E nadar sim, isto sim, é tão simples quanto o que ela fez.
[O que ela fez foi tão simples quanto beber água, assim como nadar. Em medidas iguais.
Como? Nadar é mais difícil do que beber água?
Talvez, se essa for a necessidade em questão. Um peixe discordaria. Pense nisso...
Em todo caso, eu concordo. Nadar é mais difícil do que beber água. Tanto é que eu nunca aprendi e receio que jamais aprenderei.]

Ah! O que ela fez de tão simples? Bom, não queria desapontar, mas não sei dizer. Assim como nadar é simples e eu não sei fazer, o que ela fez é muito difícil de se explicar, na minha opinião. Afinal, existem dois tipos de coisas na vida, as que são difíceis de fazer e fáceis de explicar e as fáceis de fazer e difíceis de explicar. Tenho um tio que divide estes dois tipos por gênero, pois para ele a primeira definição está relacionada aos homens e a segunda às mulheres. Isto explica, de acordo com meu tio, porque as mulheres falam demasiadamente: Porque tudo o que elas fazem é difícil de explicar. É complicado de entender meu tio.
Eu, particularmente, não tenho opinião formada sobre este assunto. Apenas sei que ela fez aquilo tudo de forma muito simples. Apenas isso. E não me decepciona não saber explicar. Talvez é este pequeno mistério que torna as mulheres tão encantadoras. Desvendá-lo seria uma infelicidade para a apreciação diária da graça e da sutileza feminina.
Pois bem, então deixemos tudo como está.

Apreciando ela tornar as minúcias e as particularidades inquietantes do dia-a-dia em coisas simples. Como beber água.




sábado, 11 de fevereiro de 2012

A todos que promovem cultura no Brasil.

A cultura tem um papel importante e decisivo na construção da história de um povo. Ela consegue mobilizar e conscientizar as pessoas com uma facilidade imensa, e melhor, sem filtro algum, o que facilita a compreensão e promove resultados mais contundentes.
Pois bem, aqui no Brasil já houve um tempo no qual a cultura agia desse modo, sempre ao lado do povo e servindo de "carro-chefe" para que a luta fosse instigada no seio da sociedade, com uma adesão quase unânime. As pessoas se sentiam seguras por lutarem ao lado dos que promoviam a cultura e davam base intelectual ao movimento. Acabavam sendo os verdadeiros herois, por se exporem aos cacetetes da mesma forma que se expunham frente as cameras de televisão. O povo se alimentava de cultura e de consciência política, enquanto os artistas se alimentavam do orgulho de fazer parte de um movimento que queria mudança, que propunha mudança, que fazia mudança. Tudo isso em um tempo onde pressupor melhoras seria pensar positivo demais e onde se omitir e fugir da luta não era visto como um ato vergonhoso e sim como um ato prudente. Mesmo assim, o povo lutou e a cultura fez sua parte, estando ao lado do povo em todos os momentos.
E hoje? Vemos diariamente uma série de casos absurdos, indignantes, muitas vezes produzidos pelo nosso "governo adestrado". A violência e o preconceito estão nos seus mais periclitantes extremos e milhares de pessoas andam individualmente frustradas com os problemas atuais de nosso país, gritando aos quatro ventos que "as coisas precisam mudar, as coisas precisam mudar!". Mas não mudam. E dificilmente as coisas mudarão enquanto esse grito não estiver em uníssono, produzido ao mesmo tempo por milhões de brasileiros. E onde está a cultura nestes tempos, para gritar: "As coisas precisam mudar!" mais uma vez e, deste modo, fazer com que o grito seja reproduzido pela boca de todos os brasileiros?
A todos que promovem cultura e sabem o papel que ela já teve neste país, eu deixo um aviso bem claro: A revolta está dispersa, fragmentada, mas existe. As pessoas precisam de vocês para se sentirem seguras na luta por mudança. E vocês não estão fazendo nada. Eu teria vergonha de ser brasileiro.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A "Marcha do Xixi"

Não é muito de se espantar que esta campanha tenha sido feita, pois a Globo sempre está tentando tirar a vantagem maior em eventos onde ela publicamente investe bastante. O carnaval que a globo investe de forma contudente, este ano está um fracasso. Escandalo das escolas de samba, líderes envolvidos com desvio de dinheiro, tudo isso somado ao fato de que os brasileiros estão literalmente enchendo deste carnaval "cegamente moldado", vem tirando o brilho do carnaval carioca de 2012 - que já andava perdendo espaço nos anos anteriores. (Mas, claro, ainda rende MUITO dinheiro para os investidores). Apelar pro luxo, riqueza e burguesia não é mais estratégia da Rede Globo e não seria interessante no momento. A onda é apelar pro popular. Uma campanha com um tema de conhecimento de todos, com uma música boba e uma série de "artistas" também de conhecimento geral e de grande apreço popular (infelizmente). É o modus operandi Globo para sair bem de qualquer situação e nunca perder o apoio da massa. Uma cambada de alienados cantarão essa "Marcha do Xixi", e isto é evidente, mas esse não é o ponto mais curioso. O curioso é a Globo fazer uma campanha contra o xixi nas ruas. Justamente ela que joga toneladas de bosta por aí há quase quarenta anos.
Postado em http://riohacha.blogspot.com